Audiência Pública, realizada na manhã desta sexta feira (11), no Plenário Julio Maia da Assembleia Legislativa, para discutir a violência contra Criança em Mato Grosso do Sul, foi marcada pela emoção e revolta do público presente após exibição de um vídeo com cenas chocantes em que se submetem crianças a maus tratos. Como proponente desse debate, destaco a importância da sessão para o assunto e exponho a minha indignação perante as barbáries que tem acometido crianças e adolescentes. Com o tema Intolerância já! Violência Contra as Crianças Não – Uma Questão Social, a audiência pública contou com autoridades das mais diversas áreas .
Representando a Câmara de Vereadores do Município de Campo Grande, a vereadora Magali Picarelli(PSDB) que preside a Comissão de Cidadania de Direitos Humanos da Casa, disse em seu pronunciamento que a omissão da sociedade com os casos de violência contra crianças e adolescentes, é apontado como um dos principais problemas para o desenvolvimento de políticas públicas na área. Segundo a parlamentar é importante mobilizar os diferentes setores em especial a imprensa e iniciar uma campanha, porque é necessário haver a denúncia.
"A Campanha é importante porque chama atenção da sociedade para o tema e reivindica a implantação de políticas públicas tanto para a proteção da criança e do adolescente como para o enfrentamento da violência física e sexual . A omissão da sociedade em relação a isso é um problema, pois o poder público precisa ter os dados para combater a causa desta violência com mais eficácia” , enfatizou
A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos da OAB/MS, representado por Joatan Loureiro, reforçou as palavras da vereadora Magali , afirmando sobre a importância de denúncia em casos de abuso infantil. Segundo ele é preciso uma maior conscientização para que os mecanismos de proteção às crianças e adolescentes sejam eficazes . Ele explica ser necessário que a sociedade se levante e faça algo. "Quem não denuncia, colabora com esse mal”, frisou. O representante da OAB mencionou o olhar atento da família para combater a violência física e sexual de menores. " O artigo 70 do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) menciona que é dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação de direitos da criança e do adolescente, mencionou ele." A Comissão tem atuado no encaminhamento de denúncias para os órgãos competentes", finalizou.
Na oportunidade, o perito criminal federal da Polícia Federal (PF), Pedro Monteiro da Silva Eleutério, apresentou estudo de caso real de abuso contra uma criança e de que forma o caso foi investigado pela equipe de informática da polícia. Também detalhou a Operação Carrossel, deflagrada em dezembro de 2007 e que envolveu 14 estados e o Distrito Federal em ações de combate à exploração sexual de crianças e adolescentes e à divulgação de pornografia na internet. Segundo Eleutério, a PF está cada vez mais empenhada no monitoramento das redes e computadores, mas a família precisa estar atenta. “É preciso tomar muito cuidado com que tipo de conteúdo você e sua família compartilham nas redes de contatos, porque hoje somente ter uma foto de uma criança que remeta à pedofilia, por exemplo, já é crime”, disse. O perito desenvolveu a ferramenta forense NuDetective, utilizada para encontrar rapidamente arquivos de pornografia infanto-juvenil nos locais de crimes.
Autor do livro Gestão Estratégica em Segurança Pública, o policial federal e especialista em Segurança Pública, André Salineiro, elencou o que considera como principais entraves na luta contra a violência. “Não temos políticas preventivas, falta uma estrutura policial eficaz e precisamos de mudanças urgentes no ordenamento jurídico”, explicou, reiterando que ainda hoje é complexa a tipificação dos crimes e a punição dos agressores de crianças e adolescentes. Salineiro também é conselheiro comunitário de prevenção ao uso de drogas. Já o policial rodoviário federal Rafael Charão, explicou como funciona o trabalho de mapeamento de áreas, às margens das rodovias, onde crianças e adolescentes estão mais vulneráveis em todo o Brasil. Segundo ele, havia 124 áreas críticas em Mato Grosso do Sul entre os anos 2013 e 2014. “Esse número caiu para 47 entre os anos 2015 e 2016, o que demonstra a eficácia das medidas que foram adotadas, como as constantes rondas preventivas”, ressaltou. Charão também é membro da Comissão Nacional de Direitos Humanos da Polícia Rodoviária Federal (PRF) no Enfrentamento à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes.
Sugestões -
Em discurso, a Promotoria de Justiça, através dos promotores Luiz Antonio Freitas de Almeida e Celso Botelho de Carvalho , representando o Ministério Público do Estado , informaram ser necessário uma ação conjunta das polícias e ministérios públicos para que todos trabalhem em harmonia. Conforme informações, em 84% das denúncias de violência contra infanto-juvenis é sobre estupro de vulnerável.
A Superintendência da Policia Federal também estava presente na audiência. O delegado federal Antônio Carlos Moriel Sanches contou que há vários crimes praticados na internet relacionados à violência contra a criança, mas que é preciso mudar a legislação. “A Polícia Federal acompanha conversas e dá para prever que um crime vai acontecer, mas o trabalho fica limitado, pois as leis não permitem prender somente com as com as provas dos atos preparatórios”.
Com um trabalho de cunho preventivo, o Conselho Tutelar manifestou-se informando não dar conta da demanda em razão da falta de estrutura. Para o Conselho é necessário ainda ter uma delegacia 24 horas para denunciar crimes contra crianças e adolescentes. " Precisamos do apoio, principalmente, no sentido de denunciar situações suspeitas".
Para encerrar, enfatizo que a partir desta audiência, um documento será elaborado com as sugestões dadas pelos participantes e será enviado a todas as autoridades constituídas. " Nossa intenção é promover momentos de reflexão e mobilização da sociedade. Queremos o engajamento de todos nesta causa para que se proponha medidas que devem ser tomadas para que esse crime seja combatido e punido. Vamos trabalhar
em parceria para que as sugestões mencionada durante a audiência sejam transformadas em propostas de ação"